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Eu sou da era da art'noveau
E ai de quem me contradizer.
Eu sou da era das curvas e flores,
De sonhos, de luzes, deleite, prazer.
Eu sou da era do mundo encantado,
Da utopia serena, da tarde lilás.
Eu venho de longe cultivando no asfalto
Uma erva daninha, ousada, sagaz.
Se a noite eu me dobro feito Nenúfar que dorme,
Ou se a noite encontro Dionísio e seu vinho,
É porque aprendi a dançar sobre o tempo.
É porque sou instável feito humor marinho.
Se um dia pedires pra que eu seja reta,
Vai perder o tempo de uma boa leitura.
Vai perder a calma e vai perder em vão,
Já que sou feita toda curvatura.
Eu sou da era da art'noveau.
Feita de metal derretido no calor solar.
Eu sou da era promíscua e volátil.
Feita pra ir, subir, descer, voltar.
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