A loja se chamava Dolmen.
Ela parou por um minuto e se perguntou por que alguém colocaria um nome tão estranho e inobjetivo numa loja. O que se espera comprar numa loja chamada Dolmen?
Depois, parou por mais um minuto pra se perguntar se a palavra ‘inobjetivo’ existia.
Concluiu corretamente que não.
Empurrou a porta da frente com mais força do que o necessário. Apesar de velha, a porta não fez barulho. Ela riu mentalmente com isso. Mas apenas mentalmente.
Ao entrar, passeou por entre as estantes de madeira. Eram três no meio da loja e outras duas encostadas nas paredes laterais.
Era uma loja pequena, antiga, meio desorganizada até. Não havia divisão aparente dos produtos. Estavam todos misturados, distribuídos sem critério algum pelas prateleiras.
Era colorida. Cores por toda a parte. Haviam tecidos, almofadas, móbiles, filtros de sonho, incensos, pequenas estátuas de fadas, duendes, bruxas, deuses celtas, muitos potes com ervas estranhas e mais mil e um artigos exotéricos.
Bobagens. Foi o que ela pensou.
Entretanto, uma das estantes, a que ficava encostada na parede direita da loja, era exclusiva para livros. Ela passou os olhos rapidamente pelos títulos. Percebeu que alguns deles vinham escritos em uma língua diferente, cujos símbolos nada pareciam com o alfabeto ocidental.
Não se interessou por nenhum deles.
Ia voltando para a porta da loja para conferir se ele, o esperado, já havia chegado. No curto percurso entre a estante de livros e a porta, ela foi interrompida por uma voz que era, no mínimo, assustadora.
Uma senhora, que ela julgou ser muitíssimo velha, parou na sua frente e soltou um prático “O que você quer?”
Ela percebeu que a senhora tentou ser o mais gentil possível, mas sua voz rouca não ajudava muito. Nem sua voz, nem sua aparência.
A senhora era baixa, gorda, tinha cabelos muito brancos e longos, presos numa trança mal feita. Usava uma saia que só servia para se arrastar no chão e uma blusa igualmente larga, de estampa abstrata. Usava também óculos muito redondos e pequenos. Tinha um rosto rechonchudo, todo talhado em rugas. Se a senhora ficasse muito parada, se confundiria com uma das estátuas da loja, pensou.
