segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Dá-me um d. Dar-te-ei diversos.

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D de demência
D de doença
D de deprimente
D de dó.
D de droga
D de dúvida
D de doce
D de dar.
D de descoberta
D de danado
D de delicado
D de dança.
D de doação
D de diversão
D de domado
D de distancia.
D de Dany
D de dura
D de dor
Dê amor.
º

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Mundinho letrado.

º'

Dentre os literatos,
Homens que tocam a pena
Bailam as letras
Choram as musas
E pregam o mundo no papel,
Dentre esses seres existe todo um vocabulário.
Toda uma cortesia.
Onde os moços dizem ‘Olá’
E as moças dizem ‘Olé’.
Lá, existe um dança trocada
Uma festa pausada
Onde as almas param para conversar
Lá, o fato vira historia,
A historia vira canto,
O canto vira verso.
E o verso incha até criar vida.
E engatinha.
Cambaleante entre os vivos...
A beijar a face de uns
E escarrar aos pés de outros.
Isso, se te interessa esse mundo idoso,
Acontece apenas entre os literatos.

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

3ª colheita.

'º

A filosofia de viver
Vive muito mais em arte,
Pois ajuda a suportar.
Ter fôlego pra correr na direção de um final.
Correr por correr, e não pra chegar.
Final sem finalidade.
Assim como essa rima.
A filosofia de viver? Não há.
A vida está mais pra tentativa pré-moderna.
Pra dureza realista.
Pro caos romântico.
Pra beleza simbolista.
A filosofia foi uma arte que se frustrou
E resolveu falar da vida por não saber falar de amor.

'

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Idealismo Danyficado.

º'.

Seja gentil. Seja doce e carinhoso. Seja elegante e inteligente, bem humorado e descontraído. Seja quente.
E tenha charme, por favor.
Não me dê muita atenção no começo, e finja que você não se importa. Quando eu me interessar, vou fazer você se interessar. Faça parte do jogo.
Mas quando estivermos entregues, faça parte de mim. Diga que precisa disso e me convença.
Porque a parte difícil é me convencer.
Me dê atenção para que não haja distração.
Me dê diversão para que não haja arrependimento.
E me dê alguma dor para que não haja tédio.
Porque esses são os três grandes venenos.
Mas me convença.
Porque a parte difícil é me convencer.
Escreva versos e cante canções. Me deslumbre com suas habilidades. E me admire para que eu não me sinta pequena.
E, por favor, me convença.
Essa é mesmo a parte difícil.
Porque o Credo é o prefácio dos Grandes Amores. O Perigo é o aposto. A dor, o clímax. E o destino, é o Fim.
O fim é o de menos.

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

2ª colheita.

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Se te inspira, escreva .Pinte. Cante.
Se te dói, chore. Lave. Cuide.
Se te diverte, ria. Chacoalhe. Divida.
Se te ensina, escute. Olhe. Aprenda.
Se te preenche, guarde. Louve. Abuse.
Se te suporta, se jogue. Exploda. Procure.
Se é fraco, acalme-se.
Se é forte, intensifique.
Se é longe, corra.
Se não é, corra mais ainda.
Por que por mais que pareça lento,
O amor é um maratonista.

Dany-se

'

Com todo respeito que essa frase pode apresentar, você que está lendo isso já foi se Danar hoje?

Cuidado,
Veneno complexo, amargo. Traz à saliva um gosto temperado e a mente um efeito adocicado. Se provar um pouco certamente pediras mais. E declarar-se satisfeito apresenta ponto da embriaguez total.

Remove remorso, traz o equinócio que confundirá a sua definição de horário, com ele por perto você aguenta muito mais tempo os obrigatórios ferrões da existência. Insaturável, imiscível, este veneno não é necessáriamente líquido, é tão profundo como um olhar penetrante, tão quente quanto uma epifania, tão sóbrio quanto a realidade. É real, necessário, e bem vindo em minha vida.

(Rômulo Crispi, amigo e escritor )

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

1ª colheita.

Eu planto amoras.
Nunca fui cuidadosa nesse ofício. Planto somente e espero que crescam para depois serem colhidas.
Faço disso um hobbie e não um sacerdócio.
Não há adubo, irrigação diária, produto especial ou oração que me ajude. Mas mesmo assim elas crescem, vermelhas, roxas, saudáveis e rechonchudas.
Claro, existem aquelas que nascem defeituosas e que são, irremediavelmente, sacrificadas. Mas o que posso fazer? São só amoras.
As guardarei aqui por uma questão de ego. Porque aqui elas parecem mais saborosas e vibrantes. Você pode prová-las se quiser. Se não quiser, não há problema.

Aqui estarão minhas amoras. As colhidas e as compradas.
Aqui estarão meus amores.  Os de alma e os de carne.
Aqui estou eu. E só.

Estado.

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E um dia ele perguntou...

Ser ou estar?
Estar.
Tão mais real. Tão mais intenso.
Estar. Não estar mais.
Depois? estar de novo. De um outro jeito. Estando diferente.
Mudar, fluir.
Estar tranqüila, inspirada, festiva, mudada, pilhada, sorrindo.
Depois? Estar cansada, fechada, errada, largada, sorrindo.
Estar no mundo e com o mundo. Estar por ele, por ela, por nada.
Estar morena, loira, ruiva. Estar louca.
Estar mais gorda, mais bonita, mais madura.
Estar apaixonada, atrasada, perdida. Estar quieta.
Estar no bar. Em casa. Estar de cama. Estar em Londres.
Estar de carona. Estar divertido. Estar pelas ruas. Estar acompanhada.
Depois? Estar sozinha. Só pra Estar acompanhada novamente. Estando de namorado novo.
Estar é movimento. É variável. Passageiro. É adaptação.
Ser é frio. Fixo. Preso. Único.
É aquilo até o fim. Não há saída. Escravizado.
Mas o que é Ser se não um Estar constante?
Que mesmo que durável ainda sim é finito?
Pois não há no mundo pessoa que foi e não deixou de Ser. E que por isso nunca foi realmente. Só esteve.
Pois quem era belo, esteve belo. Quem era forte, esteve forte. E quem era vivo, bem... Esteve apenas.
Ser é falso. Cômodo. Pobre.
Isso não. Não é pra mim.
Ser é algo que eu não quero Estar.
Afinal, o que estamos nós fazendo se não estando? Estando sempre e sem parar. Estando pura e simplesmente pela ilusão de que um dia Seremos enfim.
E o que seremos?

Felizes, talvez. Talvez não.
Mas estamos.

Oi, eu planto amoras.