quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Versinho.


'º

Deixa eu ser brega um pouquinho?
Deixa eu te fazer um versinho?
Deixa eu falar que te amo,
Que te adoro,
Que não vivo sem você?
Que o dia fica claro
E a noite fica quente,
Que o jiló fica doce
E que o café fica também?
Deixa eu falar bem alto
Que eu acho você lindo,
Que eu gosto do seu cabelo
E do cheiro do seu pescoço?
Deixa eu ser chatinha
E assistir você dormindo,
Te beijar no meio da festa
E te elogiar pra minha mãe?
Deixa eu fazer graça
Da sua raiva forçada,
Da tentativa frustrada
De jogar a culpa em mim?
Deixa eu chamar “Meu Amor”
Quando alguém estiver olhando,
Deixa eu fazer brigadeiro
E sujar o seu nariz?
Deixa eu te dar carinho?
Bem bobo e bem bonitinho?
Deixa eu ser brega um pouquinho?
Posso fazer um versinho?
Ué, não pode?
Okay, tudo bem.

º'

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dois fatos.

º'

Você me irrita com tua improbabilidade
Sua falta de rima, Sua carnalidade.
Me enlouquece tua piada constante.
A sua falta de tempo. Seu olhar de relance.

Você é longe, barulhento e machuca.
Você é palhaço, surdo, infantil.
Você me dobra, me pisa e risada.
Você trata, destrata e dormiu.

São as horas de espera acordada
São as tardes de raivas eternas
Que me fazem te amar tanto assim.

Se você fosse menos problema,
Mais jantar, mais flor, mais cinema,
Eu sei lá o que seria de mim.

º'

sábado, 17 de março de 2012

5ª colheita.

'º

Na chuva num dia de sol...
Os pingos passam lentamente pelo ar.
Sem pressa, eles dançam.
São de ouro enquanto caem.
Atravessam os feixes de luz que escapam
Pelas falhas nas nuvens do céu.
Estão tranqüilos, felizes em chover.
Vão devagar, como partículas de pólen.
Talvez como a chuva num dia de sol,
Um sol-fim-de-tarde, morno e crepuscular,
Você é sempre tão suave...e doce. Do seu jeito.
É quente, sempre quente. É macio, confortável.
É improvável, fora de estação.
Mas perfeito. Como tem que ser.
Você é minha chuva num dia de sol.
Algo bucólico, alívio sereno.
É se aninhar com o cobertor preferido.
É não ter nada pra fazer
Numa quinta-feira à tarde.

É como seu peito, o travesseiro perfeito,
nas madrugadas do fim de janeiro.

Eu sendo a chuva, você sendo o sol.
Tão bonito quanto tem que ser.
É poesia calada, tátil, visual.
Meio óbvio, meio absurdo.
Meio verdade, meio ficcional.
Você é claramente, na minha teoria,
Meu maior fenômeno natural.

'º

Oi, eu planto amoras.