quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Biologando.

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Bem, eu fui iniciada no universo da ciência desde muito pequena, graças ao espetacular hábito dos meus pais de comprar livros, que eram, em sua grande maioria, maravilhosamente educativos.
Por algum motivo, eu acabei demostrando mais interesse pelos livros com animais e plantas (em oposição à minha irmã, que hoje trilha pelas obscuridades da física e da matemática, ugh), e esse interesse se estendeu tímido durante toda a infância e início da pré-adolescência. Até que um dia, algo muito curioso aconteceu. Um tipo de insight que despertou em mim um sentimento muito forte e uma certeza para vida toda.

Eu tinha uns 11 anos e estava deitada em um colchão no chão, sem sono. A porta do quarto estava entreaberta e por ela entrava um feixe de luz que vinha do corredor e deixava o quarto vagamente iluminado. Havia uma formiga perambulando pelo meu campo de visão, bem perto do colchão. Naquela idade eu tinha uma séria preocupação com a eventualidade de insetos entrarem no meu ouvido e, por precaução, esmaguei a formiga com o dedo indicador, deixando o seu cadáver ali mesmo, no chão. Alguns minutos depois, um grupo de 3 ou 4 formigas maiores (provavelmente de outra espécie) se aproximaram da defunta e começaram a carregá-la em direção a porta. Eu fiquei observado, muito curiosa, mas ainda deitada, o esforço e o trabalho em equipe envolvido na coisa toda. Quando elas estavam bem perto da saída, uma aranha surgiu da parede e simplesmente atacou a procissão. Com movimentos muito rápidos e ferozes, ela roubou o corpinho sem vida da primeira formiga e de quebra ainda assassinou e tomou posse de uma das grandes.  Eu fiquei em choque. Prendi a respiração por um segundo enquanto torcia pelas sobreviventes que já estava à toda velocidade em direção à porta.
A oportunista aranha segurou seu jantar entre as quelíceras e foi subindo muito satisfeita pela parede. Não estava nem na metade do caminho quando apareceu uma temível lagartixa que a engoliu em um só golpe mortal e desapareceu na escuridão janela afora.

Vejam bem, eu estava deitada, na madrugada, cuidando da minha vida, quando um filme de aproximadamente 30 minutos me foi apresentado e todo um universo minúsculo e altamente agitado foi inescrupulosamente atirado na minha cara.
Naquele instante, eu estabeleci a certeza que guiaria a maioria dos meus passos até o momento presente: A vida é uma coisa muito linda, muito complexa e muito maluca.

E foi assim que eu decidi estudar biologia.

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Oi, eu planto amoras.