Na chuva num dia de sol...
Os pingos passam lentamente pelo ar.
Sem pressa, eles dançam.
São de ouro enquanto caem.
Atravessam os feixes de luz que escapam
Pelas falhas nas nuvens do céu.
Estão tranqüilos, felizes em chover.
Vão devagar, como partículas de pólen.
Talvez como a chuva num dia de sol,
Um sol-fim-de-tarde, morno e crepuscular,
Você é sempre tão suave...e doce. Do seu jeito.
É quente, sempre quente. É macio, confortável.
É improvável, fora de estação.
Mas perfeito. Como tem que ser.
Você é minha chuva num dia de sol.
Algo bucólico, alívio sereno.
É se aninhar com o cobertor preferido.
É não ter nada pra fazer
Numa quinta-feira à tarde.
É como seu peito, o travesseiro perfeito,
nas madrugadas do fim de janeiro.
Eu sendo a chuva, você sendo o sol.
Tão bonito quanto tem que ser.
É poesia calada, tátil, visual.
Meio óbvio, meio absurdo.
Meio verdade, meio ficcional.
Você é claramente, na minha teoria,
Meu maior fenômeno natural.
'º

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