sábado, 24 de agosto de 2013

Nano.

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Era uma vez uma menina pequena. Tinha um nariz pequeno, espremido entre dois pequenos olhos que brilhavam mais ou menos com o brilho de estrelas pequenas e distantes. Um queixo pequeno, sob bochechas pequenamente desenhadas, e uma minúscula testa, peculiarmente redonda demais, coberta por uma franja curta, reta e negra. Tinha a voz pequena e discreta, uma voz mal treinada devido ao hábito de quase nunca ir lá fora.

Havia nascido pequena. O que, na verdade, era bem estranho, uma vez que seus pais e irmãos eram tudo, menos pequenos.
Mas esse não era o problema.

Todos a chamavam de Nano. E esse não era o nome dela.
Esse também não era o problema.

Nano tinha 9 anos; 1,20 de altura; 19kg e 3 amigos.
Seus amigos eram: uma pedrinha, um molho de chaves e a miniatura de um elefante azul.
Esse, sim, o problema.

Já não gostavam do fato de ela ser pequena, só que até lidavam bem com isso, na verdade. Mas brincar com pedrinha, chave, miniatura? Isso era inadmissível. Quer dizer, tudo bem uma coisa ou outra, pequena ou maluquinha, mas os dois ao mesmo tempo? Ah Nano.

Todos tinham algo a dizer sobre ela. As crianças, inocentemente cruéis como são, diziam que ela ou era pobre, ou doente.
Já os adultos, sábios e experientes como são, diziam que ela ou era pobre, ou doente.

A diferença crucial residia no fato de que as crianças acreditavam que seria realmente uma boa ideia dizer à própria Nano o que elas achavam sobre tudo isso. E os adultos se esforçavam o máximo que podiam para provar que a culpa era ou dos pais, ou do governo, ou de deus.

Bem, é obvio que tanto crianças como adultos estavam absolutamente por fora. Eles não sabia de nada. Nem de Nano.

Nano era uma pessoa ao avesso.
E da imensidão de seu interior, ela achava realmente muita graça das crianças que brincavam com bonecas e carros.
Uma vez que uma boneca é sempre uma boneca, e um carro é sempre um carro - e não se brinca com uma boneca ou com um carro de nenhuma outra forma se não da forma certa de se brincar com bonecas e carros- ora, você tem então uma quantidade de brinquedos absurdamente limitada.

Nano ria: “Que besteira”.

E o universo em seu interior chacoalhava enquanto ela escolhia a próxima aventura do dia.


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Oi, eu planto amoras.