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E um dia ele perguntou...
Ser ou estar?
Estar.
Tão mais real. Tão mais intenso.
Estar. Não estar mais.
Depois? estar de novo. De um outro jeito. Estando diferente.
Mudar, fluir.
Estar tranqüila, inspirada, festiva, mudada, pilhada, sorrindo.
Depois? Estar cansada, fechada, errada, largada, sorrindo.
Estar no mundo e com o mundo. Estar por ele, por ela, por nada.
Estar morena, loira, ruiva. Estar louca.
Estar mais gorda, mais bonita, mais madura.
Estar apaixonada, atrasada, perdida. Estar quieta.
Estar no bar. Em casa. Estar de cama. Estar em Londres.
Estar de carona. Estar divertido. Estar pelas ruas. Estar acompanhada.
Depois? Estar sozinha. Só pra Estar acompanhada novamente. Estando de namorado novo.
Estar é movimento. É variável. Passageiro. É adaptação.
Ser é frio. Fixo. Preso. Único.
É aquilo até o fim. Não há saída. Escravizado.
Mas o que é Ser se não um Estar constante?
Que mesmo que durável ainda sim é finito?
Pois não há no mundo pessoa que foi e não deixou de Ser. E que por isso nunca foi realmente. Só esteve.
Pois quem era belo, esteve belo. Quem era forte, esteve forte. E quem era vivo, bem... Esteve apenas.
Ser é falso. Cômodo. Pobre.
Isso não. Não é pra mim.
Ser é algo que eu não quero Estar.
Afinal, o que estamos nós fazendo se não estando? Estando sempre e sem parar. Estando pura e simplesmente pela ilusão de que um dia Seremos enfim.
E o que seremos?
Felizes, talvez. Talvez não.
Mas estamos.

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