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Eram sete horas. Sete horas de um dia lento e desbotado. Um dia de jeans velho. Ela estava sentada no banco, esperando.
Há exatamente 8 dias, 1 hora e 15 minutos, um senhor havia se sentado nesse mesmo banco, quando seu telefone tocou e ele recebeu a triste notícia de que seu carro ficaria mais uma semana na oficina. Pouco tempo depois da tal ligação, o senhor teve um acesso inacreditavelmente longo de vômito devido a uns camarões estragados que tinha acabado de comer, duas esquinas atrás.
Foi traumatizante para o banco, aquela tristeza e aquele vômito. Mas ninguém ligava muito para os sentimentos do banco. Continuavam sentando nele, sem dó, sem nunca dar-lhe um tempo para ficar sozinho e refletir sobre a razão de sua existência.
Além disso, o banco não era muito de reclamar.
Talvez por isso, o banco não reclamou quando ela se sentou lá. E lá ela ainda estava. Sentada, esperando.
A rua onde os dois estavam -ela e o banco- era estreita. Era também mal iluminada. E, talvez por tudo isso, também era deserta.
A mulher era clara. Não na pele, mas na pessoa. Uma pessoa clara, simples...quase óbvia. Tinha a expressão de quem sabia exatamente pelo que estava esperando.
Tinha um cabelo longo, muito escuro, e um rosto oval com maçãs bem definidas. Carregava ombros pequenos e o corpo parecia magro demais para a altura. E a pele, ao contrário da pessoa, era morena. Morena latina. A boca era avermelhada, talvez pelo batom, talvez pela mania de morder o próprio lábio que ela desenvolvera aos 12 anos. Os grandes olhos castanhos estavam fixos na vitrine da pequena loja logo em frente.
Haviam se passado quase dez minutos quando a chuva chegou. Ela fez uma cara de desaprovação já que, obviamente, não era pela chuva que estava esperando.
Ponderou se esperaria ali ou iria buscar abrigo na pequena loja em frente. A chuva era lenta e desbotada, como todo o resto, mas não lhe agradava a ideia de ficar ali, sentada, tomando um banho de ácido carbônico, tomando um chá de gripe.
Com um suspiro enfunado, foi até a loja.
Foi, e deixou o banco. Afinal, ninguém ligaria se ele, o banco, ficasse gripado.
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