quarta-feira, 13 de maio de 2015

Ao meu grande amor.



Eu te amei. Mas eu te amei grande. Íssimo. Íssimamente.

Eu te amei daquele jeito que a gente vê em musical da Disney. Daquele jeito que a gente lê em romance shakespeariano. Daqueles amores que nem nos poemas do Junqueira Freire. Eu te amei byronianamente. Eu te amei daquele jeito que tem morte no final. Daquele jeito que tem borboleta no estômago e aperto no coração. Te amei daquele jeito que tem vilão na história e tudo mais, tentando nos separar. Eu te amei à la Clarice Falcão. Eu te amei tanto que dormia pensando em você e acordava pensando em você e todos esses clichês, meu bem. Todos. Eu fui cada um deles.

Eu te amei de um jeito que, mesmo em lágrimas, mesmo em dor, eu me via feliz. Simplesmente por poder chorar por você. Por poder beber por você. Por poder gritar e espernear e me enfurecer. Por você.  De tudo que tem pra amar, eu amei. De tudo que tem pra um amor ser, o meu foi. 

Se o meu amor foi puro? Foi etéreo, sacro. 
Se foi promíscuo? Foi pederasta.
Se foi sensato? Foi, foi científico. 
Se foi alucinado? Ah, o meu amor foi esquizofrênico

irreflexo, tresloucado, estúpido, presunçoso, inconsulto, imponderado, impensado, inadvertido, precipitado, idiota, ridículo, basbaque, dessisudo, avariado, irreflexivo, atabalhoado, inconsequente, irracional, néscio, asno, desastrado, impulsivo, louco, pateta, inconsciente, imprudente, tolo, desajuizado, orgíaco, doido, insensato, tonto, alienado, imbecil, destrambelhado, irresponsável, levado, dissoluto, desnorteado, desequilibrado, imprudente, maluco, descabeçado, desvairado, imoderado, cego, irrefletido, desregrado, eufórico, desinibido, impulsivo, delirante, amalucado, desatento, temerário, precipitoso, insipiente, remisso, impolítico, distraído, incauto, displicente, desalinhado, desacautelado, audacioso e torto.  

E, principalmente, 

  imenso.

E é só disso que eu me lembro, da imensidão. Da intensidade. 
E é claro que aconteceu alguma coisa no caminho e é claro que não deu certo no final. E é claro que o fim é o de menos e que ficamos muito bem e estamos muito bem, obrigada. Mas nada impede essa lembrança de me trazer sempre um arrepio que sobe dos quadris até a pontinha da orelha. 

Eu só queria que você soubesse que você foi O Meu Grande Amor. Meu gigante amor. Minha supernova.

E que eu ainda lhe amo, e que para sempre vou lhe amar. Por pura e simples inércia newtoniana. 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Biologando.

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Bem, eu fui iniciada no universo da ciência desde muito pequena, graças ao espetacular hábito dos meus pais de comprar livros, que eram, em sua grande maioria, maravilhosamente educativos.
Por algum motivo, eu acabei demostrando mais interesse pelos livros com animais e plantas (em oposição à minha irmã, que hoje trilha pelas obscuridades da física e da matemática, ugh), e esse interesse se estendeu tímido durante toda a infância e início da pré-adolescência. Até que um dia, algo muito curioso aconteceu. Um tipo de insight que despertou em mim um sentimento muito forte e uma certeza para vida toda.

Eu tinha uns 11 anos e estava deitada em um colchão no chão, sem sono. A porta do quarto estava entreaberta e por ela entrava um feixe de luz que vinha do corredor e deixava o quarto vagamente iluminado. Havia uma formiga perambulando pelo meu campo de visão, bem perto do colchão. Naquela idade eu tinha uma séria preocupação com a eventualidade de insetos entrarem no meu ouvido e, por precaução, esmaguei a formiga com o dedo indicador, deixando o seu cadáver ali mesmo, no chão. Alguns minutos depois, um grupo de 3 ou 4 formigas maiores (provavelmente de outra espécie) se aproximaram da defunta e começaram a carregá-la em direção a porta. Eu fiquei observado, muito curiosa, mas ainda deitada, o esforço e o trabalho em equipe envolvido na coisa toda. Quando elas estavam bem perto da saída, uma aranha surgiu da parede e simplesmente atacou a procissão. Com movimentos muito rápidos e ferozes, ela roubou o corpinho sem vida da primeira formiga e de quebra ainda assassinou e tomou posse de uma das grandes.  Eu fiquei em choque. Prendi a respiração por um segundo enquanto torcia pelas sobreviventes que já estava à toda velocidade em direção à porta.
A oportunista aranha segurou seu jantar entre as quelíceras e foi subindo muito satisfeita pela parede. Não estava nem na metade do caminho quando apareceu uma temível lagartixa que a engoliu em um só golpe mortal e desapareceu na escuridão janela afora.

Vejam bem, eu estava deitada, na madrugada, cuidando da minha vida, quando um filme de aproximadamente 30 minutos me foi apresentado e todo um universo minúsculo e altamente agitado foi inescrupulosamente atirado na minha cara.
Naquele instante, eu estabeleci a certeza que guiaria a maioria dos meus passos até o momento presente: A vida é uma coisa muito linda, muito complexa e muito maluca.

E foi assim que eu decidi estudar biologia.

º


terça-feira, 10 de setembro de 2013

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'

Você não sabe como é o Fim. Mas ele vem, ele sempre vem. De uma maneira ou de outra, numa quarta-feira quente, deitado em uma cama estranha, ele vem.
Você pode resistir, se justificar, você pode ser sempre legal, amável, alegre, pode negar as mágoas, os defeitos, esconder os sentimentos, os não-sentimentos, maquiá-los, enterrá-los em concreto, você pode inventar novos programas, frases, piadas, pode até cortar o cabelo de um jeito diferente e comprar roupas novas. Você pode se esforçar ao máximo, que ainda sim, ele virá.
Inevitável,  imprevisível, cruel e absoluto. O Fim.
É normal que você demore em percebê-lo. Às vezes, ele é bastante escandaloso, chega gritando apressado que sim, ele está lá, e é, é isso mesmo. Mas na maioria esmagadora dos casos, ele é discreto e sutil. Você não vai saber por onde ele entrou, nem quando, exatamente. No entanto, vai ficar cada vez mais nítida a sua presença. Presença essa que te trará uma sensação peculiar de estar em um lugar que precisa ser urgentemente abastecido com mais oxigênio. Você vai, incontáveis vezes, se perguntar se ele é real, se você não está imaginando coisas, se você não está sendo injusto, bobo ou precipitado.
E ele, ainda sim, vai estar lá.
E quando isso acontecer, há duas possibilidades:

Você pode ignorá-lo, conviver com ele, fingindo que não, que nada acabou, e que está tudo absolutamente em seu devido lugar. Ao fazer isso, você poupará o grande esforço de convidar o Fim para tomar um café e ter um papo sério com ele. Essa opção é  ótima para evitar que as pessoas fiquem lhe perguntando o que diabos o Fim está fazendo ali, como foi parar lá, quem o convidou e o que exatamente aconteceu. Vai prevenir abraços tristes e constrangedores. Você não vai precisar alterar informações em redes sociais, deletar fotos. Não haverá necessidade de readaptação, de mudanças de qualquer natureza. Não existirá a data fatídica e não cairá uma sequer lágrima pública.
No entanto, é bom que você esteja avisado de que sentirá, com freqüência, sensações muito ruins e pesadas. Elas vão te deixar pra baixo, desanimado e sem vida. Mas apenas você vai saber disso. Você vai rir de coisas das quais não achou graça alguma, vai dançar músicas que detesta, vai comer em lugares desagradáveis e vai calmamente suportar o toque que você já não deseja mais. Isso, obviamente, vai acontecer porque o fim alojado em sem estômago vai estar, ora bolas, alojado em seu estômago de qualquer maneira. Seja essa a sua vontade ou não.
É como ter um cisco no olho. Um cisco bem grande.

A segunda opção é aceitá-lo. Encará-lo, olho no olho. Pegá-lo no colo e entender sua existência, suas conseqüências e seus motivos. Você vai recebê-lo, e isso não vai ser fácil. Primeiro porque aquela tal conversa séria no café vai ter que acontecer. E todo mundo sabe que conversas sérias, quando são sérias de verdade, são extremamente difíceis e exaustivas. Você vai ter que explicar o Fim, descrevê-lo, exemplificá-lo, mostrar suas vísceras e entregá-lo, calmamente, rezando para que ele não destroce a outra pessoa, arrancando-a de vez da sua vida.
Você vai ter que conviver com o fato do Fim, se readaptar ao novo cotidiano que ele irá lhe impor. Vai ter que perder certos costumes e agregar uns outros tantos, há muito perdidos. Além disso, como as pessoas costumam ser irritantes e chatas, você vai ter que conviver com a aprovação exagerada de uns e com a desaprovação indignada de outros. Isso vai vir de todos os lados, acredite.
Essa opção vai te deixar triste e inseguro, no inicio. Mas logo você vai se dar conta de que as coisas não estão mais tão ruins assim. Com o tempo, o Fim vai se diluir em outras pessoas, lugares e experiências. Você vai se sentir em paz por ter agido em equilíbrio com você mesmo e com o universo. Como quem finalmente consegue tirar um cisco do olho. Um cisco bem grande. Um daqueles ciscos que, quando saem, fazem você piscar várias vezes, lacrimejar, e reajustar a visão. Para depois sorrir, aliviado, e seguir enxergando bem melhor.




"O Fim é o de menos."

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sábado, 24 de agosto de 2013

Historinha - parte 2.


A loja se chamava Dolmen.
Ela parou por um minuto e se perguntou por que alguém colocaria um nome tão estranho e inobjetivo numa loja. O que se espera comprar numa loja chamada Dolmen?
Depois, parou por mais um minuto pra se perguntar se a palavra ‘inobjetivo’ existia.
Concluiu corretamente que não.
Empurrou a porta da frente com mais força do que o necessário. Apesar de velha, a porta não fez barulho. Ela riu mentalmente com isso. Mas apenas mentalmente.
Ao entrar, passeou por entre as estantes de madeira. Eram três no meio da loja e outras duas encostadas nas paredes laterais.
Era uma loja pequena, antiga, meio desorganizada até. Não havia divisão aparente dos produtos. Estavam todos misturados, distribuídos sem critério algum pelas prateleiras.
Era colorida. Cores por toda a parte. Haviam tecidos, almofadas, móbiles, filtros de sonho, incensos, pequenas estátuas de fadas, duendes, bruxas, deuses celtas, muitos potes com ervas estranhas e mais mil e um artigos exotéricos.
Bobagens. Foi o que ela pensou.
Entretanto, uma das estantes, a que ficava encostada na parede direita da loja, era exclusiva para livros. Ela passou os olhos rapidamente pelos títulos. Percebeu que alguns deles vinham escritos em uma língua diferente, cujos símbolos nada pareciam com o alfabeto ocidental.
Não se interessou por nenhum deles.
Ia voltando para a porta da loja para conferir se ele, o esperado, já havia chegado. No curto percurso entre a estante de livros e a porta, ela foi interrompida por uma voz que era, no mínimo, assustadora.
Uma senhora, que ela julgou ser muitíssimo velha, parou na sua frente e soltou um prático “O que você quer?”
Ela percebeu que a senhora tentou ser o mais gentil possível, mas sua voz rouca não ajudava muito. Nem sua voz, nem sua aparência.
A senhora era baixa, gorda, tinha cabelos muito brancos e longos, presos numa trança mal feita. Usava uma saia que só servia para se arrastar no chão e uma blusa igualmente larga, de estampa abstrata. Usava também óculos muito redondos e pequenos. Tinha um rosto rechonchudo, todo talhado em rugas. Se a senhora ficasse muito parada, se confundiria com uma das estátuas da loja, pensou.

Nano.

º'

Era uma vez uma menina pequena. Tinha um nariz pequeno, espremido entre dois pequenos olhos que brilhavam mais ou menos com o brilho de estrelas pequenas e distantes. Um queixo pequeno, sob bochechas pequenamente desenhadas, e uma minúscula testa, peculiarmente redonda demais, coberta por uma franja curta, reta e negra. Tinha a voz pequena e discreta, uma voz mal treinada devido ao hábito de quase nunca ir lá fora.

Havia nascido pequena. O que, na verdade, era bem estranho, uma vez que seus pais e irmãos eram tudo, menos pequenos.
Mas esse não era o problema.

Todos a chamavam de Nano. E esse não era o nome dela.
Esse também não era o problema.

Nano tinha 9 anos; 1,20 de altura; 19kg e 3 amigos.
Seus amigos eram: uma pedrinha, um molho de chaves e a miniatura de um elefante azul.
Esse, sim, o problema.

Já não gostavam do fato de ela ser pequena, só que até lidavam bem com isso, na verdade. Mas brincar com pedrinha, chave, miniatura? Isso era inadmissível. Quer dizer, tudo bem uma coisa ou outra, pequena ou maluquinha, mas os dois ao mesmo tempo? Ah Nano.

Todos tinham algo a dizer sobre ela. As crianças, inocentemente cruéis como são, diziam que ela ou era pobre, ou doente.
Já os adultos, sábios e experientes como são, diziam que ela ou era pobre, ou doente.

A diferença crucial residia no fato de que as crianças acreditavam que seria realmente uma boa ideia dizer à própria Nano o que elas achavam sobre tudo isso. E os adultos se esforçavam o máximo que podiam para provar que a culpa era ou dos pais, ou do governo, ou de deus.

Bem, é obvio que tanto crianças como adultos estavam absolutamente por fora. Eles não sabia de nada. Nem de Nano.

Nano era uma pessoa ao avesso.
E da imensidão de seu interior, ela achava realmente muita graça das crianças que brincavam com bonecas e carros.
Uma vez que uma boneca é sempre uma boneca, e um carro é sempre um carro - e não se brinca com uma boneca ou com um carro de nenhuma outra forma se não da forma certa de se brincar com bonecas e carros- ora, você tem então uma quantidade de brinquedos absurdamente limitada.

Nano ria: “Que besteira”.

E o universo em seu interior chacoalhava enquanto ela escolhia a próxima aventura do dia.


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sábado, 12 de janeiro de 2013

Historinha - Parte 1


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Eram sete horas.  Sete horas de um dia lento e desbotado. Um dia de jeans velho. Ela estava sentada no banco, esperando.
Há exatamente 8 dias, 1 hora e 15 minutos, um senhor havia se sentado nesse mesmo banco, quando seu telefone tocou e ele recebeu a triste notícia de que seu carro ficaria mais uma semana na oficina. Pouco tempo depois da tal ligação, o senhor teve um acesso inacreditavelmente longo de vômito devido a uns camarões estragados que tinha acabado de comer, duas esquinas atrás.
Foi traumatizante para o banco, aquela tristeza e aquele vômito. Mas ninguém ligava muito para os sentimentos do banco. Continuavam sentando nele, sem dó, sem nunca dar-lhe um tempo para ficar sozinho e refletir sobre a razão de sua existência.
Além disso, o banco não era muito de reclamar.
Talvez por isso, o banco não reclamou quando ela se sentou lá. E lá ela ainda estava. Sentada, esperando.
A rua onde os dois estavam -ela e o banco- era estreita. Era também mal iluminada. E, talvez por tudo isso, também era deserta.
A mulher era clara. Não na pele, mas na pessoa. Uma pessoa clara, simples...quase óbvia. Tinha a expressão de quem sabia exatamente pelo que estava esperando.
Tinha um cabelo longo, muito escuro, e um rosto oval com maçãs bem definidas. Carregava ombros pequenos e o corpo parecia magro demais para a altura. E a pele, ao contrário da pessoa, era morena. Morena latina. A boca era avermelhada, talvez pelo batom, talvez pela mania de morder o próprio lábio que ela desenvolvera aos 12 anos. Os grandes olhos castanhos estavam fixos na vitrine da pequena loja logo em frente.
Haviam se passado quase dez minutos quando a chuva chegou. Ela fez uma cara de desaprovação já que, obviamente, não era pela chuva que estava esperando.
Ponderou se esperaria ali ou iria buscar abrigo na pequena loja em frente. A chuva era lenta e desbotada, como todo o resto, mas não lhe agradava a ideia de ficar ali, sentada, tomando um banho de ácido carbônico, tomando um chá de gripe.
Com um suspiro enfunado, foi até a loja.
Foi, e deixou o banco. Afinal, ninguém ligaria se ele, o banco,  ficasse gripado.


'

Trem das três.



'_

Eu sabia. Eu sempre soube. O trem passava sempre no mesmo horário, as três e vinte e sete.
Ele esteve sempre lá, sempre esteve. Ele ficava sentado no banco de madeira escura, olhando para o relógio e fingindo ler um jornal do ano passado.
Eu passava por ali e estava frio, era novembro e estava frio demais pra ser novembro.
Mas eu passava. Com meu chapéu-anos-vinte cor de areia, segurando um café expresso.
Eu passava e olhava. Olhava mas quase nunca via. Eu quase nunca via que aqueles olhos eu já conhecia muito bem.
Ele vinha, ficava por alguma horas. Vinha e ficava. Depois ia embora. Como se nada tivesse acontecido, ele ia embora, de trem.
E tudo o que me restava era o jornal deixado no banco de madeira escura.
Eu podia ver a luz refletida pelos seus óculos de grau enquanto o trem se afastava devagar.
Primeiro devagar, depois muito rápido.
A fumaça e o barulho sumiam.
E ele ia, mais uma vez.
E eu não sabia por que aquilo me deixava tão triste.
Não...
Eu sabia. Eu sempre soube.

º'

'-'


'

-Olá, está ocupado?
-Estou, sinto muito.
-Muito ocupado?
-O que você acha?
-Imagino... Mas veja, preciso de ajuda.
-Não posso ajudar. Não posso fazer nada, pois estou muito ocupado fazendo todo o resto.
-Você não entende...é importante.
-Eu sei que é. Mas sinto muito.
-Você não entende...
-Escute, não tenho tempo pra isso.
-Mas se não você não fizer nada, as coisas vão dar errado. Simplesmente vão dar muito errado.
-Escute, adeus. Eu sinto muito. Não tenho tempo. Preciso ir. Esqueça. Desista de mim. Faça as coisas por conta própria.
-Tudo bem, mas eu avisei.

(Diálogo entre um coração e um cérebro. )

-'

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Versinho.




Deixa eu ser brega um pouquinho?
Deixa eu te fazer um versinho?
Deixa eu falar que te amo,
Que te adoro,
Que não vivo sem você?
Que o dia fica claro
E a noite fica quente,
Que o jiló fica doce
E que o café fica também?
Deixa eu falar bem alto
Que eu acho você lindo,
Que eu gosto do seu cabelo
E do cheiro do seu pescoço?
Deixa eu ser chatinha
E assistir você dormindo,
Te beijar no meio da festa
E te elogiar pra minha mãe?
Deixa eu fazer graça
Da sua raiva forçada,
Da tentativa frustrada
De jogar a culpa em mim?
Deixa eu chamar “Meu Amor”
Quando alguém estiver olhando,
Deixa eu fazer brigadeiro
E sujar o seu nariz?
Deixa eu te dar carinho?
Bem bobo e bem bonitinho?
Deixa eu ser brega um pouquinho?
Posso fazer um versinho?
Ué, não pode?
Okay, tudo bem.

º'

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dois fatos.

º'

Você me irrita com tua improbabilidade
Sua falta de rima, Sua carnalidade.
Me enlouquece tua piada constante.
A sua falta de tempo. Seu olhar de relance.

Você é longe, barulhento e machuca.
Você é palhaço, surdo, infantil.
Você me dobra, me pisa e risada.
Você trata, destrata e dormiu.

São as horas de espera acordada
São as tardes de raivas eternas
Que me fazem te amar tanto assim.

Se você fosse menos problema,
Mais jantar, mais flor, mais cinema,
Eu sei lá o que seria de mim.

º'

sábado, 17 de março de 2012

5ª colheita.



Na chuva num dia de sol...
Os pingos passam lentamente pelo ar.
Sem pressa, eles dançam.
São de ouro enquanto caem.
Atravessam os feixes de luz que escapam
Pelas falhas nas nuvens do céu.
Estão tranqüilos, felizes em chover.
Vão devagar, como partículas de pólen.
Talvez como a chuva num dia de sol,
Um sol-fim-de-tarde, morno e crepuscular,
Você é sempre tão suave...e doce. Do seu jeito.
É quente, sempre quente. É macio, confortável.
É improvável, fora de estação.
Mas perfeito. Como tem que ser.
Você é minha chuva num dia de sol.
Algo bucólico, alívio sereno.
É se aninhar com o cobertor preferido.
É não ter nada pra fazer
Numa quinta-feira à tarde.

É como seu peito, o travesseiro perfeito,
nas madrugadas do fim de janeiro.

Eu sendo a chuva, você sendo o sol.
Tão bonito quanto tem que ser.
É poesia calada, tátil, visual.
Meio óbvio, meio absurdo.
Meio verdade, meio ficcional.
Você é claramente, na minha teoria,
Meu maior fenômeno natural.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Mau sinal.



Já faz algum tempo que eu não consigo escrever.
É esquisito e (quase) confortável.
Mas é que felicidade é egoísta e rancorosa, não gosta de ser colocada pra fora. Acho que eu tô feliz.
É.
Acho que se eu ficasse escrevendo sobre a minha felicidade, ela ia esvaziando... devagarzinho... pra inundar um texto que só serviria pra virar os olhos pessimistas e suspirar uns poucos corações piegas.
E isso, não.
Mas é curioso...
Hoje eu acordei com uma vontade de escrever.
Uma vontade assim...grande. Assim...densa.
Curioso...
É esquisito e (nada) confortável.
Mau sinal?
É,
Mau sinal.

º'

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Eu falei sem pensar.

º'

"Ah Dany,
Essa musica...
Me lembra você.
Sentada com as pernas em borboleta, coluna ereta. . . diferente das outras a partir da postura.
Concentrada em alguma coisa... interessada. Aquela expressão mágica.
Mágica sua.
Não falsa.
Realmente afim do que esta fazendo.
Agora reúne tudo cantando e sorrindo por contemplar um trabalho dando certo.
E se alguém chega e fala que você trata bem as pessoas. . . Eu vejo mais, você procura as entender.
E não vejo julgamento o tempo todo sobre o seu olhar para o outro.
E a falta da procura por um conflito deixa aquele, mesmo que errado, satisfeito em falar com você.
Porque? porque você não fora grosseira mesmo quando ele falou besteira. Mas se não percebe, você lhe mostra a opinião, e ele já esta desarmado.
Então ele releva.
Que educada, dirão.
Mas eu vejo como mágica.
A mágica da Dany."

[Presente do Rômulo Borges Crispi (: ]

º'

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

4ª Colheita.

º'
-
Eu sou da era da art'noveau
E ai de quem me contradizer.
Eu sou da era das curvas e flores,
De sonhos, de luzes, deleite, prazer.

Eu sou da era do mundo encantado,
Da utopia serena, da tarde lilás.
Eu venho de longe cultivando no asfalto
Uma erva daninha, ousada, sagaz.

Se a noite eu me dobro feito Nenúfar que dorme,
Ou se a noite encontro Dionísio e seu vinho,
É porque aprendi a dançar sobre o tempo.
É porque sou instável feito humor marinho.

Se um dia pedires pra que eu seja reta,
Vai perder o tempo de uma boa leitura.
Vai perder a calma e vai perder em vão,
Já que sou feita toda curvatura.

Eu sou da era da art'noveau.
Feita de metal derretido no calor solar.
Eu sou da era promíscua e volátil.
Feita pra ir, subir, descer, voltar.



 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ego.

º'
Quero morrer poesia.
Ou música
Ou ciência
Ou cor...
Quero morrer nada.
Eu quero é virar história.

_'

terça-feira, 21 de junho de 2011

Satélite.

º'

Eu tenho uma Lua pintada em janela
Flutua amarela na noite sem cor.
Eu tenho uma Lua que é prata entalhada
Que vive acuada e muda no céu.
A Lua sozinha me vive dizendo
Que há mais uma noite e muito a fazer.
A Lua cinzenta da cor do cabelo
Do velho austero que é sábio e viveu
Por noites e muitas, das mais variadas,
Das mais enluadas, um velho que viu.
A Lua crescendo e sumindo, tranqüila
A Lua serena. Se foi, sumiu.

_'

Promessa.

Vou esperar
De braços abertos.
Esperar quanto tempo você quiser.
Vou esperar sentadinha, calada
Juro que não vou fazer nada
até você chegar.
Mas por favor, vê se não exagera
Ora Futuro, não vá demorar.

Sou atriz.

'_

Minha máscara é minha arte
Sou atriz e me pinto
Sou aquela que não chegou a existir.
Minha máscara é meu forte
Meu orgulho e meu reino
Meu fiel devaneio, cor de carmim.


Amém.
º'

domingo, 12 de junho de 2011

Nota:

º'

Wikipédia-

"Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular, "saudade", só conhecida em galego e português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.
A palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão).
Uma visão mais especifista aponta que o termo saudade advém de solitude e saudar, onde quem sofre é o que fica à esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia.
Recentemente, uma pesquisa entre tradutores britânicos apontou a palavra "saudade" como a sétima palavra de mais difícil tradução."

É...


º'

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Oi, eu planto amoras.